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Brasil Tem Um dos Locais Mais Importantes do Mundo Para Estudar Dinossauros

 

A pequena região gaúcha que virou um dos locais mais importantes do mundo para estudar dinossauros.

Esqueleto do Guaibasaurus candelariensis


Na superfície, as pequenas cidades gaúchas de Candelária (31 mil habitantes) e Vera Cruz (27 mil), a cerca de 180 km de Porto Alegre, não têm nada que as diferencie de tantas outras de tamanho semelhante espalhadas pelo Rio Grande do Sul e pelo Brasil: uma praça e uma igreja principais, ruas tranquilas, trânsitos livre, vida noturna praticamente inexistente e, nos verões quentes, pessoas sentadas em frente a suas casas vendo o tempo passar.

Em suas profundezas, no entanto, elas guardaram, por 230 milhões anos — e ainda guardam —, fósseis dos primeiros dinossauros e dos antepassados dos mamíferos, compondo um tesouro paleontológico, que as tornam um dos pontos mais importantes do mundo para se estudar e entender o início do Triássico — período geológico que se estende de 252 milhões a 201 milhões anos atrás — e a fauna que vivia na época.

Hoje, o Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues, de Candelária, abriga fósseis ou réplicas de 23 das 38 espécies de animais encontradas no município e cidades vizinhas, que viveram na região em torno de 230 milhões atrás.

Entre elas, existem dinossauros, répteis, anfíbios e cinodontes (os ancestrais dos mamíferos), todos hoje extintos.

De acordo com o paleontólogo argentino, Agustin Martinelli, do Museo Argentino de Ciencias Naturales Bernardino Rivadavia, que vêm, desde 1998, realizando pesquisas na região e numa área próxima ao trevo de acesso a Vera Cruz, na BR-287, o conjunto de fósseis encontrado na área, que incluiu Santa Cruz do Sul, a 8 km, e Candelária, a 31 km, mostra um período da evolução biológica prévio a origem dos mamíferos.

"Eram ainda formas primitivas mas que já mostravam especializações na dentição, olfato e visão", explica.

Esqueleto do Santacruzadon, encontrado em Santa Cruz

Preservados em rocha

O biólogo e doutor em Paleontologia, Heitor Franscischini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que realiza estudos em Candelária desde 2012, há naquele município e região fósseis de alguns dos dinossauros mais antigos do mundo, assim como os antepassados diretos dos mamíferos.

"Todas as espécies descobertas em Candelária trazem novas informações à luz da ciência, tornando possível a compreensão de como era o passado da região no Período Triássico e como eram as relações entre estas espécies neste período", diz.

A riqueza fossilífera de Candelária e arredores tem explicações geológicas e ambientais. Segundo Carlos Rodrigues, curador do Museu Municipal, que leva o nome do seu pai, durante o Triássico a região fazia parte da grande bacia sedimentar do Paraná, uma imensa área baixa, com rios e lagos, para onde os animais mortos erram carreados e soterrados.

"Depois, isso aqui virou um deserto, com os rios sendo substituídos por dunas, movimentadas pelo vento", conta.

Esse deserto e suas rochas soterraram e compactaram o material da bacia mais baixa, transformando-o nas chamadas rochas sedimentares, nas quais os restos dos animais que viviam na época ficaram incrustados e preservados.

Dessas pedras são extraídas até hoje as lajes, usadas em calçadas urbanas – pelo menos até há alguns anos atrás.

Nessa época, no início da era Mesozoica (252 a 65,5 milhões de anos atrás), que inclui os períodos Triássico, Jurássico (201 a 142 milhões de anos atrás) e Cretáceo (142 a 65,5 milhões de anos atrás), todos os continentes estavam unidos num só supercontinente, chamado Pangeia, desértico e quente em seu interior, com florestas somente próximas ao litoral e aos grandes rios.

Mas justamente na época em que viveram os animais hoje fossilizados de Candelária e região, a Pangeia começou a se fragmentar.

A princípio, essa fragmentação deu origem a dois grandes continentes, um ao norte, a Laurásia, composto pela América do Norte, Europa e Ásia, e outro ao sul, Gondwana, formado pela América do Sul, África, Madagascar, Índia, Oceania e Antártida.

No Cretáceo Inferior (primeira metade do período), por volta de 110 milhões de anos atrás, surgiu o oceano Atlântico, separando a América do Sul da África e dando aos continentes uma conformação semelhante à de hoje.

Rodrigues lembra que todos esse processo de fragmentação acrescentou mais uma camada de rocha na região de Candelária — e em outras parte do mundo.

"A separação dos continentes jogou lava em abundância e formou a Serra Geral, que vai daqui até São Paulo", explica. "Essas rochas vulcânicas formaram uma camada de empilhamento de 100 metros de espessura, que cobriu o antigo deserto."

Esse processo não ocorreu do dia para a noite, claro. Durou milhões de anos, até o Cretáceo.

Hoje, essa camada de rocha basáltica, formada a partir da lava vulcânica, se estende de Venâncio Aires até São Pedro de Sul, a 129 e 330 km e de Porto Alegre, respectivamente, passando por Santa Cruz do Sul, Vera Cruz, Vale do Sol, Candelária e Santa Maria, numa faixa de 200 km por 60 km, ao longo da RSC-287, também chamada de BR-287, uma rodovia estadual que corta ao meio o Rio Grande do Sul, de leste a oeste, indo da capital a São Borja, na fronteira com a Argentina.

Seu nome oficial é Rodovia da Integração. É no trecho entre Venâncio Aires e São Pedro do Sul que se encontram os fósseis.

Depois que as três camadas estavam formadas, a erosão causada pela chuva, rios e riachos e pelo vento desgastou, também durante milhões de anos, a área deixando à vista os chamados afloramentos rochosos e os fósseis neles incrustados. A partir de então, começaram as descobertas.

Coincidentemente – ou não – o primeiro achado importante foi de um paleontólogo gaúcho, mas que havia sido pesquisador da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

A história dele é interessante por si só. Nascido em Santa Maria em 9 de outubro de 1905, filho de um casal de missionários metodistas norte-americanos, Llewellyn Ivor Price se mudou com a família, em 1916, para o país de seus pais. Lá, ele se formou, em 1930, em geologia pela Universidade de Oklahoma, onde deu início a sua carreira.

A riqueza fossilífera de Candelária e arredores tem explicações geológicas e ambientais

Marco histórico

Em 1932, Price começou a trabalhar como professor e pesquisador na Universidade de Chicago, até 1934, quando passou para Universidade Harvard, na qual ficou até 1944.

Ele esteve brevemente de volta ao Brasil entre 1936 e 1937, chefiando uma expedição paleontológica de Harvard, quando foi convidado para fomentar e desenvolver pesquisas na área de paleontologia de vertebrados no país. Assim, ao deixar Harvard foi convidado a fazer parte do quadro de paleontólogos do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Entre suas descobertas e coletas no Brasil está o Estauricossauro, o primeiro dinossauro encontrado no território brasileiro.

Além disso, Price estudou répteis, anfíbios, mamíferos, peixes e entre seus maiores achados estão o Peirosaurus torminni e o Baurusuchus pachecoi, duas espécies de crocodilomorfos (grupo de arcossauros que incluem os crocodilos e seus parentes extintos) do Cretáceo.

E então voltamos à Candelária. Em 1946, Price descobriu o primeiro fóssil coletado no município, no distrito de Pinehiro. Tratava-se de um pequeno réptil, de cerca de 40 cm, que viveu há cerca de 235 milhões.

Em homenagem à cidade, ele o batizou de Candelaria barbouri. Desde então, as descobertas na região não pararam mais.

Em 1979, o paleontólogo Mario Costa Barberena (1934-2013) fez uma das descobertas mais importante da região: um novo dicinodonte, que até então só tinha um similar conhecido na Argentina.

Conhecidos como “as vacas do Triássico”, esses animais foram os principais animais herbívoros entre o Permiano médio e o Triássico Superior (mais ou menos 260 – 200 milhões de anos) e tiveram distribuição cosmopolita, por todo o supercontinente Pangéia.

A descrição desse material foi publicada em 1981, sendo denominado Jachaleria candelariensis.

Na década de 1990 ocorreram novas descobertas marcantes. Uma delas foi a primeira espécie de dinossauro encontrada na região, que recebeu o nome de Guaibasaurus candelariensis.

"Em 2002, iniciamos uma parceria com UFRGS, sob o comando do professor César Schultz, e temos um novo marco na história", orgulha-se Rodrigues.

"Dá-se um grande salto, a partir do qual a paleontologia na região se confunde com a história do próprio Museu Municipal e do seu corpo de voluntários."

Antes disso, nos anos 1990, Schultz havia descoberto uma espécie de cinodonte traversodontídeo, um grupo de ancestrais antigos dos mamíferos e hoje extinto. O achado ocorreu num afloramento, chamado de Schöenstatt, localizado no município de Santa Cruz do Sul, por isso, o animal foi batizado de Santacruzodon.

Mapa mostra algumas das espécies encontradas na cidade de Candelária

Esqueleto quase completo

O animal foi descrito cientificamente em 2003, pelo paleontólogo argentino Fernando Abdala e a pesquisadora brasileira Ana Maria Ribeiro.

"Eles estudaram melhor os materiais e concluíram que parte desses fósseis representavam uma nova espécie", conta o geocientista Maurício Rodrigo Schmitt, da Universidade Regional de Blumenau (FURB), em Santa Catarina.

"Os dois, então, a batizaram de Santacruzodon hopsoni com base em um crânio e uma mandíbula coletados no final dos anos 90."

Agora, Schmitt está fazendo doutorado em Geociências, na UFRGS, sobre os cinodontes traversodontídeos.

"Esse grupo viveu durante grande parte do Triássico (entre cerca de 245 e 208 milhões de anos atrás)", diz.

"No Brasil, estão representados por espécies que viveram entre aproximadamente 240 a 225 milhões de anos. O Santacruzodon especificamente, viveu em uma parte do Triássico, o Carniano, que tem cerca de 237 milhões de anos."

Em 2022 foram descritos alguns novos materiais atribuídos ao Santacruzodon hopsoni, por um então aluno de doutorado da UFRGS, Tomaz Melo, junto com Martinelli e a pesquisadora Marina Bento Soares, hoje no Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

"Eles descreveram 11 novos fósseis de Santacruzodon, incluindo materiais de Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires e principalmente de Vera Cruz", revela Schmitt.

"Esses de Vera Cruz são os mais importantes, pois incluem um esqueleto quase completo de Santacruzodon, o que ainda não era conhecido para essa espécie."

O próprio Melo conta que fez seu mestrado e doutorado estudando os fósseis encontrados em Santa Cruz do Sul e Vera Cruz.

"Eu mesmo fiz vários trabalhos de campo, com coletas nos dois municípios", conta.

"Eu encontreis novos fósseis lá e em outras cidades das redondezas também. Esses materiais do Santacruzodon especificamente vêm de camadas específicas, que só se conhecem em Santa Cruz do Sul, Vera Cruz e Venâncio Aires."

Num primeiro momento, os fósseis encontrados em Santa Cruz do Sul foram descritos a partir de apenas algumas mandíbulas, alguns pedaços de crânio bem completo e pequenos.

Em seu estudo, Melo percebeu que, na verdade, os ossos eram de indivíduos jovens, ou seja, filhotes. Por isso, se achava que o Santacruzodon era de pequeno porte.

Depois, ele estudou os materiais encontrados em Vera Cruz, por outros pesquisadores, inclusive um esqueleto quase completo e um crânio com cerca de 24 cm de comprimento, que seria de animais adultos.

"A maioria fósseis do Santacruzodon de Vera Crua era bem maior", diz. Por isso, após sua descrição o animal passou a ser considerado um dos maiores cinodontes do período.

A descoberta mais recente, mas não menos importante foi descrita em 2018 por pesquisadores UFRGS e da Universidade Federal Vale do São Francisco (Univasf).

Eles descobriram que os restos fossilizados doados anonimamente ao Museu Municipal de Candelária pertenciam a uma espécie de réptil até então desconhecida, que viveu há 237 milhões de anos.

Ele deram o nome de Pagosvenator candelariensis ao animal, que significa "caçador da região de Candelária".

Para o professor de paleontologia da Univasf, Marco Franca, coautor da descrição do Pagosvenator candelariensis, a importância dos fósseis de Candelária e região está no fato de o período Triássico ter siso um "boom experimental" de novas formas de vida proporcionados pela evolução.

"Antes do Triássico, veio o período Permiano, que tinha formas de vida muitos diferentes", explica. "o final dele, ocorreu a maior extinção de todos os tempos, nos quais os pesquisadores consideram que a vida na Terra como um todo esteve por um fio."

Estima-se que cerca de 81% das espécies marinhas 70% das terrestres se extinguiram.

"Após esse dramático evento, as formas de vida que sobreviveram experimentaram novas ecologias, novos habitats, um ambiente intensamente seletivo", diz Franca.

"Foi quando essas novas formas surgiram por evolução. Estou falando, como exemplo, do surgimento dos dinossauros, dos lagartos, da linhagem dos crocodilos, dos mamíferos, e das tartarugas. O que conhecemos hoje de grandes grupos dos animais vertebrados teve seu início nesse período.”

Crânio do Prestosuchus chiniquensis

De acordo ele, desse ponto de vista, qualquer lugar no mundo onde haja afloramentos triássicos é importante para a paleontologia mundial, pois eles passam informações sobre como foi a evolução destes grupos, como sobreviveram e se diversificaram após um grande evento de extinção.

"E a região de Candelária, por ter as rochas desse período, contribui para o avanço científico", diz.

Schmitt, por sua vez, destaca a importância do Museu Municipal de Candelária para a conservação dos fósseis da região.

"Muitos dos materiais mais recentes do município e região são coletados ou estão depositados no Museu, mantendo os fósseis na sua localidade de origem", elogia.

"Além de ajudar a preservar e coletar o material, um museu local possibilita uma interação maior com a sociedade, fazendo com que as pessoas entendam paleontologia e compreendem que os fósseis são um patrimônio cultural da cidade e da região, contribuindo para novos achados e a preservação de localidades fossilíferas."

Fonte: BBC

Homem moderno causou desaparecimento dos Neandertais


Os Neandertais desapareceram no Leste Europeu depois de uma repentina invasão, iniciada há cerca de 40.000 anos, de humanos modernos provenientes da África. A horda invasora de Homo sapiens aniquilou a dominação Neandertal e iniciou uma guerra brutal por comida e outros recursos fundamentais. A desvantagem numérica entre indivíduos Homo sapiens e Neandertais era enorme: estima-se em uma relação de dez para um, desfavorável a nossos antigos primos.
A razão que levou ao desaparecimento dos Neandertais sempre foi assunto intensamente debatido na comunidade científica. A mais recente explicação para o destino final desses homens pré-históricos foi dada por cientistas da Universidade de Cambridge, da Grã-Bretanha, em um estudo publicado no respeitado periódico americano Science.

Há um consenso entre os pesquisadores de que os humanos modernos, junto com componentes ambientais, foram responsáveis pelo desaparecimento repentino dos Neandertais. A peça que ainda falta, e que os pesquisadores britânicos tentam preencher, é descrever qual foi o papel desses fatores.
Os arqueólogos de Cambridge, Paul Mellers e Jennifer French, analisaram evidências históricas em Périgord, antiga província no sudoeste da França. O lugar é famoso por concentrar grande número de sítios arqueológicos de Neandertais e de humanos modernos.

Ali, os cientistas encontraram indícios de que a população de Homo sapiens na região era dez vezes maior do que a de Neandertais. O detalhe importante é que os nossos primos pré-históricos já viviam nesse lugar havia milênios. Os indícios sugerem que houve uma invasão repentina de seres humanos modernos, hipótese reforçada pelo crescimento fulminante na quantidade e tamanho de sítios arqueológicos exclusivos de Homo sapiens justamente no período em que os Neandertais desapareceram.

Mellers e French acreditam que a desvantagem numérica dos Neandertais foi potencializada pela superioridade tecnológica dos humanos modernos, o que inclui lanças maiores para caça e práticas de cooperação e comunicação mais eficientes. A chegada dos Homo sapiens também coincide com o aparecimento de pinturas mais elaboradas na rochas e cascalhos decorativos. São indicações de que a sociedade do homem moderno era mais complexa do que a dos Neandertais.

A superioridade cultural, acreditam os autores, permitiu que os seres humanos invadissem a região e sobrevivessem em maior número por todo o continente europeu. Ameaçados, os Neandertais tiveram que migrar para regiões marginais e menos atraentes do continente. Depois de dezenas de milhares de anos — e talvez com a ajuda da deterioração do clima — chegaram à extinção, há cerca de 25.000 ou 30.000 anos. [Fonte: VejaOnLine]

Novos fósseis bagunçam evolução do homem

F. Spoor e J. Reader/Museus Nacionais do Quênia
Comparação entre o crânio recém-encontrado (o menor, em cima) e um crânio de H. erectus de grandes dimensões sugere que a espécie poderia ter grande diferença de tamanho entre machos e fêmeas (Foto: F. Spoor e J. Reader/Museus Nacionais do Quênia)


Um dos poucos fatos aparentemente sólidos sobre a evolução humana pode cair por terra por causa de um crânio nanico e um pedaço de maxilar. Os dois foram achados a leste do lago Turkana, no Quênia, e podem indicar que dois dos mais famosos ancestrais do homem moderno, o Homo habilis e o Homo erectus, não são "pai" e "filho" evolutivos, respectivamente, mas sim "irmãos" -- duas espécies que descendem de um ancestral comum e evoluíram de forma independente.

A conclusão está num artigo na revista científica "Nature" . E não é a única reviravolta sugerida pela equipe liderada por Fred Spoor, do University College de Londres. O tamanho diminuto do novo crânio pode indicar que, tal como os gorilas modernos, o Homo erectus tinha uma diferença gritante de tamanho entre machos e fêmeas da espécie. A idéia bate de frente com a imagem que se tinha do H. erectus, hoje considerado o primeiro hominídeo a viver e se comportar de forma significativamente parecida com a do homem moderno.

O cenário evolutivo mais aceito até agora costumava ver uma sucessão clara entre o H. habilis e o H. erectus. O primeiro teria surgido por volta de 2,3 milhões de anos atrás, no leste da África, e usado pela primeira vez ferramentas de pedra fabricadas por ele mesmo (daí o nome latino de "hábil"). Era um hominídeo pequeno, pouco maior que um chimpanzé moderno. Já o H. erectus, suposto descendente direto e substituto do H. habilis, teria surgido por volta de 1,9 milhão de anos atrás e desenvolvido um cérebro com dois terços do volume do nosso, assim como tamanho e proporções do corpo praticamente iguais ao do homem moderno.

"O que o nosso trabalho exclui totalmente é a idéia de uma única linhagem, sem 'galhos', na qual um se transforma no outro", disse ao G1 Susan C. Antón, pesquisadora da Universidade de Nova York e co-autora do estudo. Na mesma região de Ileret, no Quênia, a leste do lago Turkana, a equipe achou tanto a parte de cima de um crânio de H. erectus, com idade estimada em 1,55 milhão de anos, quanto um pedaço do maxilar de um H. habilis, com 1,44 milhão de anos, segundo seus cálculos.

Convivência incômoda
Isso significa uma convivência extensa das duas espécies tanto no espaço quanto no tempo -- cerca de meio milhão de anos. Os pesquisadores também consideram que não é possível ter certeza de que os fósseis mais antigos do gênero Homo na África sejam mesmo do H. habilis.


Crânio de H. erectus tem tamanho diminuto e foi achado no Quênia (Foto: F. Spoor/Museus Nacionais do Quênia)

O mais provável, segundo eles, é que as duas espécies tenham evoluído de um ancestral diferente e ainda desconhecido. Por terem passado tanto tempo lado a lado, elas teriam se adaptado a nichos ecológicos diferentes -- como a boca e os dentes do H. habilis são maiores e mais reforçados que os do H. erectus, uma possibilidade é que o primeiro se alimentasse mais de vegetais que o segundo, mais adaptado à dieta com carne.

E quem seria o ancestral misterioso? Spoor admite que ele poderia ser a espécie representada pelos fósseis de 2,33 milhões de anos atrás, achados na Etiópia. "Os pesquisadores que o descreveram se referem a ele como Homo com afinidades habilis. O problema é que se trata de um fragmento, com pouca morfologia preservada para que possamos ter certeza", diz ele.

Antón diz que, de qualquer maneira, as descobertas traçam um cenário complexo. "Nós mostramos que, em Turkana, os dois não eram uma única linhagem. Mas isso não quer dizer que foi lá que eles evoluíram pela primeira vez -- poderia ser na Etiópia. Em vez de uma evolução gradula e linear de uma espécie na outra, pode ser que em outro lugar uma população de H. habilis já existia, da qual se separou um grupo fundador. Esse grupo poderia ter sofrido outras pressões seletivas, transformando-se no H. erectus. E, no fim, descendentes da antiga população H. habilis poderiam ter se encontrado com a nova espécie em Turkana", explica ela.

Já a variação de tamanho observada entre o novo fóssil e os H. erectus já conhecidos chega perto da que se vê entre dois gorilas -- primatas entre os quais a fêmea pode ter só metade das dimensões do macho. Se o mesmo era verdade entre os H. erectus, coisa que ainda precisa ser provada, isso pode significar que a espécie formava haréns, tal e qual os gorilas modernos. Isso porque costuma haver uma correlação clara entre tamanho relativo de machos e fêmeas e hábitos de acasalamento. Quanto maior o macho for proporcionalmente, maior a chance de que um só monopolize várias fêmeas.

"Nós propusemos essa explicação com muito cuidado, porque não sabemos o sexo de quase nenhum dos fósseis de H. erectus", diz Antón. "Podem existir outras explicações, como adaptação a diferentes ambientes, embora uma variação tão grande quanto essa num intervalo de tempo tão curto não foi vista até agora. O que vemos está mais perto do que vemos em espécies vivas com muito dimorfismo sexual, e há alguns casos em que há indivíduos muito grandes e muito pequenos lado a lado, como em Dmanisi, na Geórgia", lembra ela. [Fonte: G1]

Cientistas questionam posição de 'Ardi' na evolução humana





No ano passado, um esqueleto fossilizado chamado "Ardi" abalou o campo da evolução humana. Agora, alguns cientistas levantam dúvidas sobre o que essa criatura da Etiópia realmente era, e em que tipo de paisagem vivia.


Divulgação
Reconstituição da possível aparência de Ardi

Novas críticas questionam se Ardi realmente pertence ao ramo humano da árvore evolutiva, e se ele realmente vivia em florestas. A segunda questão tem implicações para as teorias sobre o tipo de ambiente que desencadeou a evolução humana.

O novo trabalho aparece na revista Science, que em 2009 declarou a apresentação original do fóssil de 4,4 milhões de anos a principal descoberta do ano.

Ardi, abreviação de Ardipithecus ramidus, é um milhão de anos mais velho que o fóssil Lucy. Ano passado, foi saudado como uma janela para os primórdios da evolução humana.

Pesquisadores tinham concluído que Ardi andava ereto e não sobre os nós dos dedos das mãos, como os chimpanzés, e que vivia em florestas, não em campos gramados. Ela não se parece muito com os chimpanzés atuais, nossos parentes mais próximos ainda vivos, embora estivesse ainda mais perto que Lucy do ancestral comum entre humanos e chimpanzés.

Esses questionamentos são comuns; grandes descobertas científicas costumam ser saudadas dessa maneira. Até que mais cientistas possam estudar o fóssil, um amplo consenso sobre seu papel na evolução humana pode continuar indefinido.

A descoberta em 2003 dos pequenos "hobbits" na Indonésia, por exemplo, desencadeou um longo debate sobre eles seriam uma espéci à parte da humanidade ou não.


Tim White, um dos cientistas que descreveram Ardi no ano passado, disse que não se surpreende com o debate atual. "Era totalmente esperado", disse ele. "Sempre que se tem algo tão diferente quanto Ardi, provavelmente haverá isso".


Esteban Sarmiento, da Fundação de Evolução Humana, escreve na nova análise que não está convencido de que Ardi pertence ao ramo da árvore da vida que conduz à espécie humana.

Em vez disso, argumenta, ele pode ter vindo mais cedo, antes que o ramo humano se separasse dos ancestrais de gorilas e chimpanzés.

As características anatômicas específicas de dentes, o crânio e outras partes citadas pelos descobridores simplesmente não são indício suficiente de participação no ramo humano, diz ele. Algumas, como certas peculiaridades do pulso e da conexão da mandíbula indicam que Ardi surgiu antes que os humanos se separassem dos macacos africanos.


Em uma réplica por escrito na Science e em entrevista, White discorda de Sarmiento. "A evidência é muito clara de que no Ardipithecus há características encontradas apenas nos hominídeos posteriores e em humanos", disse ele. Se Ardi ainda fosse um ancestral dos chimpanzés, várias características teriam tido de" evoluir de volta" para uma forma mais simiesca, o que White considera "altamente improvável".


Outros especialistas, no entanto, disseram em entrevistas que acham que é muito cedo para dizer onde Ardi se encaixa.

Will Harcourt-Smith, do Museu Americano de História Natural e do Lehman College, disse que não poderia afirmar se Sarmiento está certo ou errado. "Estamos no início" da análise de Ardi, disse ele.

"Até que haja uma descrição mais completa do esqueleto, é preciso ser cauteloso ao interpretar a análise inicial de um jeito ou de outro". Mas ele disse discordar da avaliação de que Ardi seria velho demais para fazer parte do ramo humano. [Fonte: Estadão]

Estudo indica que humanos tiveram filhos com neandertais

Um estudo mostrou que todos os humanos, exceto os de ancestralidade puramente africana, tem em seu DNA uma contribuição de 1% a 4% de elementos genéticos de neandertais, indicando que as duas espécies cruzaram entre si e geraram descendentes comuns.

O estudo de quatro anos, liderado pelo instituto alemão Max Planck com colaboração de várias universidades de outros países e divulgado na publicação científica Science, desvendou o genoma, ou código genético, dos homens de Neandertal, espécie extinta há aproximadamente 29 mil anos.

As conclusões surpreenderam especialistas, já que evidências anteriores sugeriam que os neandertais não haviam contribuído para nossa herança genética.

O estudo também confirma que quase a totalidade dos humanos descende de um pequeno grupo de africanos que se espalhou pelo planeta, entre 50 e 60 mil anos atrás.

Cruzamentos

Traços da contribuição genética do neandertal foram encontrados em populações europeias, asiáticas e da Oceania.

"Eles não foram totalmente extintos, vivem um pouco em nós", disse o professor Svante Paabo do Max Planck em Leipzig.

O professor Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, disse que "o que realmente nos surpreendeu foram as evidências de que ocorreu algum tipo de cruzamento entre neandertais e humanos modernos".

Outros especialistas se disseram surpresos com a relativamente alta quantidade de material genético do neandertal (até 4%) em humanos modernos.

A pesquisa

O genoma sequenciado usou DNA dos restos de três neandertais descobertos em uma caverna na Croácia.

Um dos desafios do projeto foi extrair material genético aproveitável dos ossos, que possuíam dezenas de milhares de anos de idade.

As amostras continham pequenas quantidades de DNA de neandertais, misturados com DNA de bactérias e colônias de fungos que instalaram-se nelas ao longo dos anos.

O DNA de neandertais havia se quebrado em pequenos pedaços e modificado-se quimicamente, mas estas mudanças eram de natureza regular, o que permitiu aos pesquisadores corrigir as imperfeições por meio de programas de computador.

Teorias

A explicação mais plausível para a aproximação genética entre não africanos e neandertais é a de que houve um contato reprodutivo reduzido (ou fluxo de genes) entre as duas espécies.

Este cruzamento pode ter ocorrido quando os humanos deixavam o continente africano, talvez no norte da África ou na península arábica.

Segundo a teoria que diz que o mundo foi povoado a partir da África, o homo sapiens substituiu gradativamente as populações indígenas de outras regiões, como os neandertais.

Pesquisas anteriores indicavam a Europa como o local mais provável para as duas espécies terem se encontrado e possivelmente trocado genes.

Homo sapiens e neandertais conviveram no continente por mais de 10 mil anos. [Fonte: BBC Brasil]


Estudo sugere que todos os humanos 'são mutantes'

Pesquisa afirma que cada ser humano carrega pelo menos 100 mutações genéticas no DNA.

Um estudo britânico e chinês sugere que cada ser humano possui pelo menos 100 mutações genéticas no DNA. Nos últimos 70 anos, vários cientistas vêm tentando chegar a uma estimativa precisa sobre a taxa de mutação nos humanos.

A pesquisa recente, publicada na edição desta semana da revista científica "Current Biology", conseguiu chegar a um número considerado confiável graças às novas tecnologias de sequenciamento genético.

Os cientistas aplicaram a tecnologia ao estudo dos cromossomas "Y" de dois homens chineses. Os pesquisadores sabiam que os dois eram parentes distantes e partilhavam de um antepassado comum que nascera em 1805.

Ao analisar as diferenças genéticas entre os dois homens e o tamanho do genoma humano, os cientistas concluíram que as novas mutações genéticas podem chegar a 100 e 200 por pessoa.

As novas mutações podem, ocasionalmente, levar ao desenvolvimento de doenças graves, como o câncer.

Os cientistas esperam que as descobertas e as novas estimativas sobre as mutações possam abrir caminho para tratamentos que auxiliem na redução do aparecimento das mutações e que possam contribuir para um melhor entendimento sobre a evolução humana.

Busca

Em 1935, um dos fundadores da genética moderna, JBS Haldane, estudou um grupo de homens que sofriam de hemofilia - um distúrbio na coagulação do sangue.

Na época, Helmand sugeriu que cada ser humano carregava cerca de 150 mutações no DNA.

Desde as pesquisas de Helmand, diversos cientistas tentaram produzir estimativas sobre o número de novas mutações ao analisar o DNA de chimpanzés.

Somente agora, com a tecnologia disponível de sequenciamento, os cientistas puderam produzir uma estimativa mais precisa e que, coincidentemente, confirma as estimativas sugeridas por Helmand em 1935.

"A quantidade de dados que geramos com a pesquisa era inimaginável há alguns anos", disse Yali Xue, do Wellcome Trust Sanger Institute, um dos autores do estudo.

"Encontrar esse pequeno número de mutações foi mais difícil do que encontrar agulha no palheiro", afirmou o cientista.

O especialista em genética Joseph Nadeau, da Case Western Reserve University, nos Estados Unidos, afirmou que as novas mutações genéticas são fonte de uma variação hereditária, algumas podem causar doenças e distúrbios, enquanto outras determinam a natureza e o ritmo das mudanças evolutivas.

Segundo ele, "as notícias são animadoras".

"Nós finalmente conseguimos obter estimativas confiáveis sobre as características genéticas que são urgentemente necessárias para entender quem somos nós geneticamente", afirmou o cientista. [Fonte: G1 notícias]

Cientistas encontram mais antigo ancestral humano na Etiópia

Ilustração indica como seria a espécime encontrada na Etiópia (Foto:Reprodução/Reuters)


'Ardipithecus ramidus' viveu há 4,4 milhões de anos. Macacos e homens tiveram evolução distinta há muito mais tempo.

A família que resultou no que chamamos humanidade está 1 milhão de anos mais velha. Cientistas descobriram um ancestral dos homens atuais de 4,4 milhões de anos. O Ardipithecus ramidus (ou apenas “Ardi”, como é carinhosamente chamado) foi descrito minuciosamente por uma equipe internacional de cientistas, que divulgou a descoberta em uma edição especial da revista “Science” desta semana.

O espécime analisado, uma fêmea, vivia onde hoje é a Etiópia 1 milhão de anos antes do nascimento de Lucy (estudado por muito tempo como o mais antigo esqueleto de ancestral humano).


“Este velho esqueleto inverte o senso comum da evolução humana”, disse o antropólogo C. Owen Lovejoy, da Universidade Estadual de Kent. Em vez de sugerir que os seres humanos evoluíram de uma criatura similar ao chimpanzé, a nova descoberta fornece evidências de que os chimpanzés e os humanos evoluíram de um ancestral comum, há muito tempo. Cada espécie, porém, tomou caminhos distintos na linha evolutiva.

Saiba Mais Sobre a Descoberta

A Arte a Favor da Evolução


Alguns detalhes sobre Ardi:


- Ardi foi encontrada em Afar Rift, na Etiópia, onde muitos fósseis de plantas e animais (incluindo 29 espécies de aves e 20 espécies de pequenos mamíferos) foram descobertos. Achados perto do esqueleto indicam que, na época de Ardi, a região era arborizada.

- Os caninos superiores de Ardi eram mais parecidos com os pequenos e grossos dentes de humanos modernos do que com os grandes e afiados caninos de chimpanzés machos. Análise do esmalte dentário sugere uma dieta diversificada, que incluía frutas, folhas e nozes.

- Ardi possuía um focinho saliente, dando a ela uma aparência simiesca. Mas não tão para a frente como os focinhos dos macacos modernos. Algumas características de seu crânio, como a área sobre os olhos, diferem muito dos chimpanzés.

-Detalhes do fundo do crânio, onde nervos e vasos sanguíneos encontram o cérebro, indicam que o órgão ficava posicionado de maneira semelhante ao dos humanos modernos. Segundo os pesquisadores, isso indicaria que os cérebros dos hominídeos já estavam posicionados para abranger áreas que envolvem aspectos visuais e de percepção espacial.

-Suas mãos e punhos eram uma mistura de características primitivas e modernas, mas não possuíam marcas características dos modernos chimpanzés e gorilas. Ela tinha as palmas das mãos e os dedos relativamente curtos, que eram flexíveis e permitiam que aguentasse o peso do próprio corpo enquanto se movia por entre as árvores. Mesmo assim, ela tinha de tomar muito cuidado ao escalar, pois faltava-lhe as características anatômicas que possibilitam aos macacos atuais balançar, agarrar e mover facilmente entre as árvores.

-A pelve e o quadril indicam que os músculos dos glúteos eram posicionados de modo que ela pudesse andar em pé.

- Seus pés eram rígidos o suficiente para caminhar, mas o polegar era grande o bastante para possibilitar escaladas.

[Fonte: G1]

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