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Brasil Tem Um dos Locais Mais Importantes do Mundo Para Estudar Dinossauros

 

A pequena região gaúcha que virou um dos locais mais importantes do mundo para estudar dinossauros.

Esqueleto do Guaibasaurus candelariensis


Na superfície, as pequenas cidades gaúchas de Candelária (31 mil habitantes) e Vera Cruz (27 mil), a cerca de 180 km de Porto Alegre, não têm nada que as diferencie de tantas outras de tamanho semelhante espalhadas pelo Rio Grande do Sul e pelo Brasil: uma praça e uma igreja principais, ruas tranquilas, trânsitos livre, vida noturna praticamente inexistente e, nos verões quentes, pessoas sentadas em frente a suas casas vendo o tempo passar.

Em suas profundezas, no entanto, elas guardaram, por 230 milhões anos — e ainda guardam —, fósseis dos primeiros dinossauros e dos antepassados dos mamíferos, compondo um tesouro paleontológico, que as tornam um dos pontos mais importantes do mundo para se estudar e entender o início do Triássico — período geológico que se estende de 252 milhões a 201 milhões anos atrás — e a fauna que vivia na época.

Hoje, o Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues, de Candelária, abriga fósseis ou réplicas de 23 das 38 espécies de animais encontradas no município e cidades vizinhas, que viveram na região em torno de 230 milhões atrás.

Entre elas, existem dinossauros, répteis, anfíbios e cinodontes (os ancestrais dos mamíferos), todos hoje extintos.

De acordo com o paleontólogo argentino, Agustin Martinelli, do Museo Argentino de Ciencias Naturales Bernardino Rivadavia, que vêm, desde 1998, realizando pesquisas na região e numa área próxima ao trevo de acesso a Vera Cruz, na BR-287, o conjunto de fósseis encontrado na área, que incluiu Santa Cruz do Sul, a 8 km, e Candelária, a 31 km, mostra um período da evolução biológica prévio a origem dos mamíferos.

"Eram ainda formas primitivas mas que já mostravam especializações na dentição, olfato e visão", explica.

Esqueleto do Santacruzadon, encontrado em Santa Cruz

Preservados em rocha

O biólogo e doutor em Paleontologia, Heitor Franscischini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que realiza estudos em Candelária desde 2012, há naquele município e região fósseis de alguns dos dinossauros mais antigos do mundo, assim como os antepassados diretos dos mamíferos.

"Todas as espécies descobertas em Candelária trazem novas informações à luz da ciência, tornando possível a compreensão de como era o passado da região no Período Triássico e como eram as relações entre estas espécies neste período", diz.

A riqueza fossilífera de Candelária e arredores tem explicações geológicas e ambientais. Segundo Carlos Rodrigues, curador do Museu Municipal, que leva o nome do seu pai, durante o Triássico a região fazia parte da grande bacia sedimentar do Paraná, uma imensa área baixa, com rios e lagos, para onde os animais mortos erram carreados e soterrados.

"Depois, isso aqui virou um deserto, com os rios sendo substituídos por dunas, movimentadas pelo vento", conta.

Esse deserto e suas rochas soterraram e compactaram o material da bacia mais baixa, transformando-o nas chamadas rochas sedimentares, nas quais os restos dos animais que viviam na época ficaram incrustados e preservados.

Dessas pedras são extraídas até hoje as lajes, usadas em calçadas urbanas – pelo menos até há alguns anos atrás.

Nessa época, no início da era Mesozoica (252 a 65,5 milhões de anos atrás), que inclui os períodos Triássico, Jurássico (201 a 142 milhões de anos atrás) e Cretáceo (142 a 65,5 milhões de anos atrás), todos os continentes estavam unidos num só supercontinente, chamado Pangeia, desértico e quente em seu interior, com florestas somente próximas ao litoral e aos grandes rios.

Mas justamente na época em que viveram os animais hoje fossilizados de Candelária e região, a Pangeia começou a se fragmentar.

A princípio, essa fragmentação deu origem a dois grandes continentes, um ao norte, a Laurásia, composto pela América do Norte, Europa e Ásia, e outro ao sul, Gondwana, formado pela América do Sul, África, Madagascar, Índia, Oceania e Antártida.

No Cretáceo Inferior (primeira metade do período), por volta de 110 milhões de anos atrás, surgiu o oceano Atlântico, separando a América do Sul da África e dando aos continentes uma conformação semelhante à de hoje.

Rodrigues lembra que todos esse processo de fragmentação acrescentou mais uma camada de rocha na região de Candelária — e em outras parte do mundo.

"A separação dos continentes jogou lava em abundância e formou a Serra Geral, que vai daqui até São Paulo", explica. "Essas rochas vulcânicas formaram uma camada de empilhamento de 100 metros de espessura, que cobriu o antigo deserto."

Esse processo não ocorreu do dia para a noite, claro. Durou milhões de anos, até o Cretáceo.

Hoje, essa camada de rocha basáltica, formada a partir da lava vulcânica, se estende de Venâncio Aires até São Pedro de Sul, a 129 e 330 km e de Porto Alegre, respectivamente, passando por Santa Cruz do Sul, Vera Cruz, Vale do Sol, Candelária e Santa Maria, numa faixa de 200 km por 60 km, ao longo da RSC-287, também chamada de BR-287, uma rodovia estadual que corta ao meio o Rio Grande do Sul, de leste a oeste, indo da capital a São Borja, na fronteira com a Argentina.

Seu nome oficial é Rodovia da Integração. É no trecho entre Venâncio Aires e São Pedro do Sul que se encontram os fósseis.

Depois que as três camadas estavam formadas, a erosão causada pela chuva, rios e riachos e pelo vento desgastou, também durante milhões de anos, a área deixando à vista os chamados afloramentos rochosos e os fósseis neles incrustados. A partir de então, começaram as descobertas.

Coincidentemente – ou não – o primeiro achado importante foi de um paleontólogo gaúcho, mas que havia sido pesquisador da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

A história dele é interessante por si só. Nascido em Santa Maria em 9 de outubro de 1905, filho de um casal de missionários metodistas norte-americanos, Llewellyn Ivor Price se mudou com a família, em 1916, para o país de seus pais. Lá, ele se formou, em 1930, em geologia pela Universidade de Oklahoma, onde deu início a sua carreira.

A riqueza fossilífera de Candelária e arredores tem explicações geológicas e ambientais

Marco histórico

Em 1932, Price começou a trabalhar como professor e pesquisador na Universidade de Chicago, até 1934, quando passou para Universidade Harvard, na qual ficou até 1944.

Ele esteve brevemente de volta ao Brasil entre 1936 e 1937, chefiando uma expedição paleontológica de Harvard, quando foi convidado para fomentar e desenvolver pesquisas na área de paleontologia de vertebrados no país. Assim, ao deixar Harvard foi convidado a fazer parte do quadro de paleontólogos do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Entre suas descobertas e coletas no Brasil está o Estauricossauro, o primeiro dinossauro encontrado no território brasileiro.

Além disso, Price estudou répteis, anfíbios, mamíferos, peixes e entre seus maiores achados estão o Peirosaurus torminni e o Baurusuchus pachecoi, duas espécies de crocodilomorfos (grupo de arcossauros que incluem os crocodilos e seus parentes extintos) do Cretáceo.

E então voltamos à Candelária. Em 1946, Price descobriu o primeiro fóssil coletado no município, no distrito de Pinehiro. Tratava-se de um pequeno réptil, de cerca de 40 cm, que viveu há cerca de 235 milhões.

Em homenagem à cidade, ele o batizou de Candelaria barbouri. Desde então, as descobertas na região não pararam mais.

Em 1979, o paleontólogo Mario Costa Barberena (1934-2013) fez uma das descobertas mais importante da região: um novo dicinodonte, que até então só tinha um similar conhecido na Argentina.

Conhecidos como “as vacas do Triássico”, esses animais foram os principais animais herbívoros entre o Permiano médio e o Triássico Superior (mais ou menos 260 – 200 milhões de anos) e tiveram distribuição cosmopolita, por todo o supercontinente Pangéia.

A descrição desse material foi publicada em 1981, sendo denominado Jachaleria candelariensis.

Na década de 1990 ocorreram novas descobertas marcantes. Uma delas foi a primeira espécie de dinossauro encontrada na região, que recebeu o nome de Guaibasaurus candelariensis.

"Em 2002, iniciamos uma parceria com UFRGS, sob o comando do professor César Schultz, e temos um novo marco na história", orgulha-se Rodrigues.

"Dá-se um grande salto, a partir do qual a paleontologia na região se confunde com a história do próprio Museu Municipal e do seu corpo de voluntários."

Antes disso, nos anos 1990, Schultz havia descoberto uma espécie de cinodonte traversodontídeo, um grupo de ancestrais antigos dos mamíferos e hoje extinto. O achado ocorreu num afloramento, chamado de Schöenstatt, localizado no município de Santa Cruz do Sul, por isso, o animal foi batizado de Santacruzodon.

Mapa mostra algumas das espécies encontradas na cidade de Candelária

Esqueleto quase completo

O animal foi descrito cientificamente em 2003, pelo paleontólogo argentino Fernando Abdala e a pesquisadora brasileira Ana Maria Ribeiro.

"Eles estudaram melhor os materiais e concluíram que parte desses fósseis representavam uma nova espécie", conta o geocientista Maurício Rodrigo Schmitt, da Universidade Regional de Blumenau (FURB), em Santa Catarina.

"Os dois, então, a batizaram de Santacruzodon hopsoni com base em um crânio e uma mandíbula coletados no final dos anos 90."

Agora, Schmitt está fazendo doutorado em Geociências, na UFRGS, sobre os cinodontes traversodontídeos.

"Esse grupo viveu durante grande parte do Triássico (entre cerca de 245 e 208 milhões de anos atrás)", diz.

"No Brasil, estão representados por espécies que viveram entre aproximadamente 240 a 225 milhões de anos. O Santacruzodon especificamente, viveu em uma parte do Triássico, o Carniano, que tem cerca de 237 milhões de anos."

Em 2022 foram descritos alguns novos materiais atribuídos ao Santacruzodon hopsoni, por um então aluno de doutorado da UFRGS, Tomaz Melo, junto com Martinelli e a pesquisadora Marina Bento Soares, hoje no Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

"Eles descreveram 11 novos fósseis de Santacruzodon, incluindo materiais de Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires e principalmente de Vera Cruz", revela Schmitt.

"Esses de Vera Cruz são os mais importantes, pois incluem um esqueleto quase completo de Santacruzodon, o que ainda não era conhecido para essa espécie."

O próprio Melo conta que fez seu mestrado e doutorado estudando os fósseis encontrados em Santa Cruz do Sul e Vera Cruz.

"Eu mesmo fiz vários trabalhos de campo, com coletas nos dois municípios", conta.

"Eu encontreis novos fósseis lá e em outras cidades das redondezas também. Esses materiais do Santacruzodon especificamente vêm de camadas específicas, que só se conhecem em Santa Cruz do Sul, Vera Cruz e Venâncio Aires."

Num primeiro momento, os fósseis encontrados em Santa Cruz do Sul foram descritos a partir de apenas algumas mandíbulas, alguns pedaços de crânio bem completo e pequenos.

Em seu estudo, Melo percebeu que, na verdade, os ossos eram de indivíduos jovens, ou seja, filhotes. Por isso, se achava que o Santacruzodon era de pequeno porte.

Depois, ele estudou os materiais encontrados em Vera Cruz, por outros pesquisadores, inclusive um esqueleto quase completo e um crânio com cerca de 24 cm de comprimento, que seria de animais adultos.

"A maioria fósseis do Santacruzodon de Vera Crua era bem maior", diz. Por isso, após sua descrição o animal passou a ser considerado um dos maiores cinodontes do período.

A descoberta mais recente, mas não menos importante foi descrita em 2018 por pesquisadores UFRGS e da Universidade Federal Vale do São Francisco (Univasf).

Eles descobriram que os restos fossilizados doados anonimamente ao Museu Municipal de Candelária pertenciam a uma espécie de réptil até então desconhecida, que viveu há 237 milhões de anos.

Ele deram o nome de Pagosvenator candelariensis ao animal, que significa "caçador da região de Candelária".

Para o professor de paleontologia da Univasf, Marco Franca, coautor da descrição do Pagosvenator candelariensis, a importância dos fósseis de Candelária e região está no fato de o período Triássico ter siso um "boom experimental" de novas formas de vida proporcionados pela evolução.

"Antes do Triássico, veio o período Permiano, que tinha formas de vida muitos diferentes", explica. "o final dele, ocorreu a maior extinção de todos os tempos, nos quais os pesquisadores consideram que a vida na Terra como um todo esteve por um fio."

Estima-se que cerca de 81% das espécies marinhas 70% das terrestres se extinguiram.

"Após esse dramático evento, as formas de vida que sobreviveram experimentaram novas ecologias, novos habitats, um ambiente intensamente seletivo", diz Franca.

"Foi quando essas novas formas surgiram por evolução. Estou falando, como exemplo, do surgimento dos dinossauros, dos lagartos, da linhagem dos crocodilos, dos mamíferos, e das tartarugas. O que conhecemos hoje de grandes grupos dos animais vertebrados teve seu início nesse período.”

Crânio do Prestosuchus chiniquensis

De acordo ele, desse ponto de vista, qualquer lugar no mundo onde haja afloramentos triássicos é importante para a paleontologia mundial, pois eles passam informações sobre como foi a evolução destes grupos, como sobreviveram e se diversificaram após um grande evento de extinção.

"E a região de Candelária, por ter as rochas desse período, contribui para o avanço científico", diz.

Schmitt, por sua vez, destaca a importância do Museu Municipal de Candelária para a conservação dos fósseis da região.

"Muitos dos materiais mais recentes do município e região são coletados ou estão depositados no Museu, mantendo os fósseis na sua localidade de origem", elogia.

"Além de ajudar a preservar e coletar o material, um museu local possibilita uma interação maior com a sociedade, fazendo com que as pessoas entendam paleontologia e compreendem que os fósseis são um patrimônio cultural da cidade e da região, contribuindo para novos achados e a preservação de localidades fossilíferas."

Fonte: BBC

Fóssil revela a maior ave da história



Os ossos fossilizados encontrados num aeroporto de Charleston,na Carolina do Sul, Estados Unidos, poderão pertencer à maior ave que já existiu, de acordo com «The Guardian».

Depois de terem analisado os vestígios, investigadores da Universidade da Carolina do Norte concluíram que se trata de um pássaro com uma envergadura entre seis a quase sete metros e meio, capaz de voar longas distâncias. O estudo foi publicado na revista científica «Proceedings of the National Academy of Sciences» (PNAS) e refere que a ave, que foi denominada «Pelagornis sandersi», terá existido há 25 milhões de anos atrás.

Para se ter uma ideia das dimensões do «Pelagornis», refira-se que as suas asas são duas vezes maiores do que as do albatroz-real, o maior pássaro que existe na atualidade. A ave agora descoberta também desafia a envergadura do «Argentavis magnificens», um pássaro pré-histórico que viveu há seis milhões de anos atrás e cujas dimensões são estimadas entre os cinco metros e meio e os sete metros.

Como as suas asas eram muito compridas e as suas pernas bastante curtas, os investigadores acreditam que a ave tinha dificuldades em levantar voo a partir do chão e que, por isso, utilizava penhascos e correntes de ar para esse efeito. O seu voo atingia os 60 quilómetros por hora e a sua boca era cheia de espigões ósseos semelhantes às texturas de um dragão.

«É um fóssil extraordinário, quase como se tivesse saído da série Guerra dos Tronos», afirma Daniel Ksepka, autor da pesquisa.

Pensa-se que terá morrido no mar devido aos vestígios de raias pré-históricas e até de um dente de baleia. Segundo o estudo, não há indícios de que tenha tido uma morte violenta.

Os fósseis do pássaro foram recolhidos em 1983 mas até à data não tinham sido feitas revelações significantes sobre o animal. [Fonte: TVi24]

Fóssil explica evolução dos mamíferos


O Pampa gaúcho abrigou, há 260 milhões de anos, um parente longínquo dos mamíferos. Batizado de Tiarajudens eccentricus, o animal representa o registro mais antigo de uma estrutura dentária sofisticada: com incisivos, molares e caninos. Graças aos diferentes tipos de dentes, ele podia cortar e mastigar alimentos, um luxo que ampliou drasticamente sua dieta.

O fóssil de São Gabriel, cidade a 325 quilômetros de Porto Alegre, também surpreendeu os cientistas por exibir caninos em forma de dentes de sabre. O Tiarajudens era herbívoro. O artigo que descreve a descoberta na Science levanta três hipóteses para explicar os caninos de 12 centímetros: manipulação dos alimentos antes de os abocanhar, defesa contra predadores ou uso em disputas com indivíduos da mesma espécie (por fêmeas ou território, por exemplo).

Antes do Tiarajudens, a maioria dos animais apresentava dentição semelhante à dos jacarés: dentes pontiagudos especializados em rasgar para engolir. Quase todos se alimentavam de carne ou insetos. O fóssil gaúcho representa uma nova fase.

Capazes de mastigar alimentos, os herbívoros mais evoluídos incluíram plantas fibrosas, mais abundantes, à sua dieta. Foi o primeiro passo rumo à hegemonia numérica. Iniciava o cenário, que persiste até hoje, de um ambiente com predomínio de vertebrados herbívoros e um número menor de carnívoros.

"(O Tiarajudens) é um representante do primeiro ecossistema moderno", sintetiza Juan Carlos Cisneros, salvadorenho da equipe que descobriu o fóssil. Na época, realizava pós-doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Hoje, leciona na Federal do Piauí.

Evolução. Cisneros faz questão de frisar que o Tiarajudens não é um dinossauro. "Os dinossauros são répteis", explica. "Este animal não é um réptil." A designação mais correta é sinapsídeo, ramo paralelo ao dos répteis que também tem origem no tronco comum dos anfíbios primitivos.

Não há uma linha direta entre o Tiarajudens e os mamíferos atuais. O tronco dos sinapsídeos também se bifurcou inúmeras vezes. O ramo do fóssil gaúcho foi um dos primeiros a se separar da linhagem dos mamíferos.

Mesmo assim, por estar muito próximo da raiz na árvore evolutiva dos sinapsídeos, ele é importante para a compreensão da evolução dos mamíferos, afirma Jörg Fröbisch, do Museu de História Natural de Berlim.

"O mais importante do trabalho não é o animal em si, mas o que ele representa na evolução dos sinapsídeos e, portanto, dos mamíferos", confirma Hussam Zaher, diretor do Museu de Zoologia da USP. Ele recorda que o encaixe perfeito dos dentes superiores e inferiores - a chamada oclusão dentária, uma prerrogativa dos mamíferos - já se insinua no fóssil de São Gabriel.

O paleontólogo salvadorenho recorda a primeira visita ao sítio de São Gabriel. "Uma pessoa encontrou um pequeno fóssil na terra, depois outro maior... Por fim, retiramos um bloco de rocha e levamos à universidade para analisar." No laboratório, levaram seis meses para compreender exatamente o que tinham nas mãos.

O artigo da Science descreve apenas o crânio - sem a mandíbula, que não foi conservada no fóssil. Mas Cisneros afirma que outras partes do Tiarajudens foram identificadas. "Também achamos materiais importantes de outros animais", avisa Marina Soares, da UFRGS, coautora do artigo.

Ocupação antiga:
 A descoberta de 56 ferramentas de pedra no Texas (Estados Unidos), também descrita na revista Science, mostra que os homens já ocupavam a América há 15 mil anos. / AP [Fonte: Estadão]


Extinção dos dinossauros abriu caminho para mamíferos gigantes


 Escala compara maiores mamíferos pré-históricos com um elefante e um ser humano. Divulgação

Eles só precisavam de um pouco de espaço: uma nova pesquisa mostra que a extinção dos dinossauros abriu caminho para que os mamíferos tivessem uma explosão de tamanho - alguns chegando a ser maiores que vários elefantes juntos.

O maior mamífero terrestre de todos os tempos era uma criatura semelhante ao rinoceronte, mas sem o chifre, que tinha 5,5 metros de altura, pesava cerca de 17 toneladas e pastava nas florestas do quer hoje são Europa e Ásia. Ele faz com que o mais conhecido mamute lanudo pareça um nanico.
Descobrir e rastrear esses titãs pré-históricos é mais do que mera curiosidade: o feito lança nova luz sobre a evolução e a diversificação dos mamíferos, enquanto ocupavam os nichos deixados livres pelos dinossauros.

Passados 25 milhões de anos da extinção dos dinossauros - bem depressa, em termos geológicos - os mamíferos terrestres haviam atingido o tamanho máximo e começavam a estabilizar, escreve uma equipe internacional de cientistas na revista Science. E embora diferentes espécies tenham atingido o tamanho máximo em diferentes momentos em diferentes continentes, o padrão evolutivo foi bastante similar em escala global.

"A evolução pode acontecer bem depressa quando a ecologia permite", disse a paleoecóloga Felisa Smith, da Universidade do Novo México, que encabeçou o estudo. "Isso realmente se resume à ecologia deixando acontecer".

Que o fim da era dos dinossauros, há 65 milhões de anos, abriu as portas para a era dos mamíferos, e que alguns mamíferos atingiram proporções gigantescas, já era sabido. Mas o novo estudo é o primeiro mapeamento completo dos titãs de um modo a ajudar na compreensão de como e porquê atingiram proporções descomunais.

"Não tínhamos uma ideia clara de como a história se desenrolou após a extinção dos dinossauros", explica Nick Pyenson, curador do Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsoniano, e que não tomou parte na pesquisa.

Teorias anteriores sugeriam que a diversidade de espécies levou ao aumento de tamanho, mas o novo trabalho não encontrou essa conexão. "Isso sugere que há uma explicação mais profunda sobre como o grande tamanho corporal evolui em mamíferos", disse ele.

Mamíferos coexistiram com dinossauros, mas eram pequenos, não ultrapassando o tamanho de um pequeno cão. "Nós éramos basicamente os ratos correndo aos pés dos dinossauros", define Felisa Smith.
Para entender como isso mudou, pesquisadores reuniram dados de fósseis sobre o tamanho máximo atingido por todos os principais grupos de mamíferos em cada continente, ao longo da história evolutiva. 

O maior foi o Indricotherium de 17 toneladas, seguido de perto por uma criatura semelhante ao elefante, o Deinotherium africano. Os elefantes atuais pesam de 3 a 5 toneladas.

Os herbívoros se agigantaram primeiro, talvez porque tivessem a vantagem de comer a vegetação que os grandes dinossauros herbívoros, uma vez extintos, não comiam mais. da mesma forma que acontece hoje com leões e elefantes, os grandes predadores que se seguiram ficaram com cerca de 10% do tamanho dos maiores herbívoros.

Por que o tamanho dos mamíferos primeiro estabilizou e depois diminuiu? Disponibilidade de área e temperatura, diz Felisa. Noventa por cento do alimento que os mamíferos consomem vai para manter a temperatura interna do corpo, e a quantidade de comida relaciona-se á área total que sustenta a população.

Os maiores mamíferos evoluíram quando um clima mais frio gerava um nível do mar mais baixo, e mais terra disponível. Além disso, animais maiores têm mais dificuldade em perder calor, um problema com o aquecimento do clima.

Cientistas debatem que foi a mudança climática ou o advento do ser humano o que pôs fim à era dos mamíferos titânicos.[Fonte: Estadão]

Somos um pouco Neandertais...

Cientistas descobrem que espécie se misturou com os nossos ancestrais. Habitantes da Europa, Ásia, Oceania e América partilham gene com espécie desaparecida há 24 mil anos:
Não somos a espécie que pensamos ser. Assumimos que somos melhores do que os neandertais, ou que a superioridade da nossa espécie os levou à extinção. Mas, de acordo com as últimas análises de DNA, estas criaturas primitivas se relacionaram com o Homo sapiens, passando seus genes para as nossas linhagens.

Concepção artística mostra humano moderno ruivo e sua contraparte neandertal (Foto: Michael Hofreiter e Kurt Fiusterweier/MPG EVA)

Isto certamente acaba com o mito de uma espécie distinta, pura e triunfante sobre os neandertais e outras espécies. Estas novas descobertas podem nos obrigar a considerar os neandertais como parte da nossa espécie ou, então, sermos obrigados a repensar a nossa classificação como Homo sapiens.

Os biólogos dizem que o conceito de espécie, ensinado nas escolas, que diz que elas se tornam distintas quando seus membros não podem produzir descendentes férteis, ficou ultrapassado. Hoje, os cientistas perceberam que a separação delas é um processo, diz o biólogo Paul Schmidt, da Universidade da Pensilvânia. Os grupos podem interagir produzindo descendentes férteis e inférteis.“Um biólogo pode dizer: ?Hum! Isto não é um grande achado, acontece a toda hora”, diz. Mas fica mais difícil admitir tais relações interespécies quando humanos são envolvidos. No passado, mesmo entre aqueles que aceitavam que nós não fomos criados por uma divindade, havia a crença de que éramos o ponto final de uma poderosa cadeia evolutiva. Agora, descobrimos que fazemos parte de um emaranhado, como os outros animais.A evidência de que os neandertais se misturaram com os ancestrais humanos vem de uma comparação entre o DNA humano e o extraído de ossos de neandertais, com 38 mil anos, como parte do Projeto Genoma Neandertal.

Os pesquisadores trabalham com a hipótese de que a humanidade surgiu na África, há cerca 100 mil anos, e começou a se expandir em várias direções, substituindo espécies mais antigas de hominídeos na Europa, Ásia e Oriente Médio.

O mais famoso destes substituídos foram os neandertais, cujos ancestrais se separaram da nossa linhagem cerca de 400 mil anos atrás. Com o passar do tempo, a evolução os moldou para serem mais pesados e mais fortes do que os humanos modernos. A palavra neandertal tornou-se sinônimo de brutalidade e estupidez, embora os cérebros deles fossem pouco maiores do que os nossos.

Entre 50 mil e 80 mil anos atrás, nossos ancestrais começaram a sair da África em direção aos territórios habitados pelos neandertais, que teriam desaparecido há 24 mil anos. As últimas análises genéticas indicam que eles não se extinguiram, mas se misturaram com o Homo sapiens, deixando todos os não-africanos com uma porção de DNA neandertal.

Os pesquisadores que realizaram a análise se esquivaram de falar sobre o que isso significava para nós. “É difícil responder se somos uma espécie diferente ou uma subespécie”, disse o geneticista Richard Green, da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz.Alan Templeton, biólogo da Universidade de Washington, esta última análise de DNA confirma o que se falava há tempos: que os neandertais eram parte de nossa espécie. Por anos, ele tem comparado o DNA de pessoas de todo o mundo, procurando padrões que mostrem aspectos da nossa evolução. “A ideia é de que há grupos ou raças puras não faz nenhum sentido”, disse.

Ele disse que os cientistas utilizam diferentes critérios para distinguir as espécies animais e as humanas. Por exemplo, diferentes grupos de chimpanzés são muito mais geneticamente diferentes do que os homens e os neandertais e não há nenhum problema em agrupá-los em uma única espécie.
Novas evidências mostram que eles usavam pigmentos, faziam joias e provavelmente falavam. Análises genéticas mostram que eles compartilham conosco uma versão de um gene, chamado FOXP2, crucial para o desenvolvimento da linguagem e que não está presente em outros animais.[Fonte: Jornal AN]


Cientistas questionam posição de 'Ardi' na evolução humana





No ano passado, um esqueleto fossilizado chamado "Ardi" abalou o campo da evolução humana. Agora, alguns cientistas levantam dúvidas sobre o que essa criatura da Etiópia realmente era, e em que tipo de paisagem vivia.


Divulgação
Reconstituição da possível aparência de Ardi

Novas críticas questionam se Ardi realmente pertence ao ramo humano da árvore evolutiva, e se ele realmente vivia em florestas. A segunda questão tem implicações para as teorias sobre o tipo de ambiente que desencadeou a evolução humana.

O novo trabalho aparece na revista Science, que em 2009 declarou a apresentação original do fóssil de 4,4 milhões de anos a principal descoberta do ano.

Ardi, abreviação de Ardipithecus ramidus, é um milhão de anos mais velho que o fóssil Lucy. Ano passado, foi saudado como uma janela para os primórdios da evolução humana.

Pesquisadores tinham concluído que Ardi andava ereto e não sobre os nós dos dedos das mãos, como os chimpanzés, e que vivia em florestas, não em campos gramados. Ela não se parece muito com os chimpanzés atuais, nossos parentes mais próximos ainda vivos, embora estivesse ainda mais perto que Lucy do ancestral comum entre humanos e chimpanzés.

Esses questionamentos são comuns; grandes descobertas científicas costumam ser saudadas dessa maneira. Até que mais cientistas possam estudar o fóssil, um amplo consenso sobre seu papel na evolução humana pode continuar indefinido.

A descoberta em 2003 dos pequenos "hobbits" na Indonésia, por exemplo, desencadeou um longo debate sobre eles seriam uma espéci à parte da humanidade ou não.


Tim White, um dos cientistas que descreveram Ardi no ano passado, disse que não se surpreende com o debate atual. "Era totalmente esperado", disse ele. "Sempre que se tem algo tão diferente quanto Ardi, provavelmente haverá isso".


Esteban Sarmiento, da Fundação de Evolução Humana, escreve na nova análise que não está convencido de que Ardi pertence ao ramo da árvore da vida que conduz à espécie humana.

Em vez disso, argumenta, ele pode ter vindo mais cedo, antes que o ramo humano se separasse dos ancestrais de gorilas e chimpanzés.

As características anatômicas específicas de dentes, o crânio e outras partes citadas pelos descobridores simplesmente não são indício suficiente de participação no ramo humano, diz ele. Algumas, como certas peculiaridades do pulso e da conexão da mandíbula indicam que Ardi surgiu antes que os humanos se separassem dos macacos africanos.


Em uma réplica por escrito na Science e em entrevista, White discorda de Sarmiento. "A evidência é muito clara de que no Ardipithecus há características encontradas apenas nos hominídeos posteriores e em humanos", disse ele. Se Ardi ainda fosse um ancestral dos chimpanzés, várias características teriam tido de" evoluir de volta" para uma forma mais simiesca, o que White considera "altamente improvável".


Outros especialistas, no entanto, disseram em entrevistas que acham que é muito cedo para dizer onde Ardi se encaixa.

Will Harcourt-Smith, do Museu Americano de História Natural e do Lehman College, disse que não poderia afirmar se Sarmiento está certo ou errado. "Estamos no início" da análise de Ardi, disse ele.

"Até que haja uma descrição mais completa do esqueleto, é preciso ser cauteloso ao interpretar a análise inicial de um jeito ou de outro". Mas ele disse discordar da avaliação de que Ardi seria velho demais para fazer parte do ramo humano. [Fonte: Estadão]

Estudo indica que humanos tiveram filhos com neandertais

Um estudo mostrou que todos os humanos, exceto os de ancestralidade puramente africana, tem em seu DNA uma contribuição de 1% a 4% de elementos genéticos de neandertais, indicando que as duas espécies cruzaram entre si e geraram descendentes comuns.

O estudo de quatro anos, liderado pelo instituto alemão Max Planck com colaboração de várias universidades de outros países e divulgado na publicação científica Science, desvendou o genoma, ou código genético, dos homens de Neandertal, espécie extinta há aproximadamente 29 mil anos.

As conclusões surpreenderam especialistas, já que evidências anteriores sugeriam que os neandertais não haviam contribuído para nossa herança genética.

O estudo também confirma que quase a totalidade dos humanos descende de um pequeno grupo de africanos que se espalhou pelo planeta, entre 50 e 60 mil anos atrás.

Cruzamentos

Traços da contribuição genética do neandertal foram encontrados em populações europeias, asiáticas e da Oceania.

"Eles não foram totalmente extintos, vivem um pouco em nós", disse o professor Svante Paabo do Max Planck em Leipzig.

O professor Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, disse que "o que realmente nos surpreendeu foram as evidências de que ocorreu algum tipo de cruzamento entre neandertais e humanos modernos".

Outros especialistas se disseram surpresos com a relativamente alta quantidade de material genético do neandertal (até 4%) em humanos modernos.

A pesquisa

O genoma sequenciado usou DNA dos restos de três neandertais descobertos em uma caverna na Croácia.

Um dos desafios do projeto foi extrair material genético aproveitável dos ossos, que possuíam dezenas de milhares de anos de idade.

As amostras continham pequenas quantidades de DNA de neandertais, misturados com DNA de bactérias e colônias de fungos que instalaram-se nelas ao longo dos anos.

O DNA de neandertais havia se quebrado em pequenos pedaços e modificado-se quimicamente, mas estas mudanças eram de natureza regular, o que permitiu aos pesquisadores corrigir as imperfeições por meio de programas de computador.

Teorias

A explicação mais plausível para a aproximação genética entre não africanos e neandertais é a de que houve um contato reprodutivo reduzido (ou fluxo de genes) entre as duas espécies.

Este cruzamento pode ter ocorrido quando os humanos deixavam o continente africano, talvez no norte da África ou na península arábica.

Segundo a teoria que diz que o mundo foi povoado a partir da África, o homo sapiens substituiu gradativamente as populações indígenas de outras regiões, como os neandertais.

Pesquisas anteriores indicavam a Europa como o local mais provável para as duas espécies terem se encontrado e possivelmente trocado genes.

Homo sapiens e neandertais conviveram no continente por mais de 10 mil anos. [Fonte: BBC Brasil]


Âmbar africano com 95 milhões de anos revela fauna do Cretáceo

A descoberta na Etiópia de um depósito de âmbar com 95 milhões de anos está a ajudar os cientistas a reconstruírem uma primitiva floresta tropical. As dezenas de insectos, fungos e aranhas presos no depósito dão pistas para se perceber aquele ecossistema partilhado com os dinossauros durante o período do Cretáceo.


Os resultados desta investigação, realizada por um grupo de 20 cientistas, estão agora publicados na «Proceedings of the National Academy of Sciences – PNAS». Este é o primeiro depósito de âmbar do Cretáceo descoberto no hemisfério sul, naquele que era o super-continente Gonduana. Na investigação, revelaram-se espécies de insectos e aranhas até agora desconhecidos, bem como novos fungos e até uma bactéria.


A investigação desenvolveu-se em várias áreas. Alguns autores trabalharam no enquadramento geológico e analisaram os fósseis sepultados no âmbar. Os investigadores Paul Nascimbene, do Museu de História Natural (Nova Iorque) e Kenneth Anderson, da Southern Illinois University, estudaram o próprio âmbar.Descobriram que a resina que escoou das árvores é quimicamente semelhante a âmbares mais recentes de depósitos do Mioceno, encontrado no México e na República Dominicana. É a única resina fóssil descoberta até à data do período Cretáceo. “A árvore que produzia a seiva ainda é desconhecida”, explicam os investigadores.


A equipa que estudou os fósseis no âmbar descobriu 30 artrópodes de treze famílias de insectos e aranhas. Estes representam alguns dos primeiros registos fósseis africanos e incluem vespas, borboletas, besouros, uma formiga primitiva, um insecto raro chamado zoraptera e até uma aranha a tecer a teia.Foram também identificados fungos que viviam na árvore, bem como filamentos de bactérias e restos de floração de plantas e fetos. [Fonte: Ciência Hoje]

Artigo: Cretaceous African life captured in amber


Agora é oficial: asteroide acabou com dinossauros


A colisão de um asteroide gigante contra a Terra é a única explicação plausível para a extinção dos dinossauros, disse uma equipe de cientistas na quinta-feira, esperando encerrar uma discussão que há décadas divide os especialistas.

Um grupo de 41 pesquisadores de todo o mundo reviu 20 anos de pesquisas para tentar confirmar a causa da chamada extinção do Cretáceo-Terciário (KT), que criou um "ambiente infernal" há cerca de 65 milhões de anos e extinguiu mais de metade de todas as espécies da época.

Além do asteroide, outra possibilidade cogitada era a atividade vulcânica na atual Índia, onde uma série de supererupções durou 1,5 milhão de anos.

O novo estudo, publicado na revista Science, mostrou que a culpa pelo fim dos dinossauros é de um asteroide de 15 quilômetros de diâmetro que caiu em Chicxulub (México). "Isso desencadeou enormes incêndios, terremotos medindo mais de 10 na escala Richter e deslizamentos continentais, que criaram tsunamis", disse Joanna Morgan, do Imperial College londrino, coautora do estudo.

A colisão teria liberado uma energia 1 bilhão de vezes mais poderosa que a bomba atômica de Hiroshima.

Segundo Morgan, "o último prego no caixão dos dinossauros" ocorreu quando o material da explosão voou para a atmosfera, envolvendo o planeta na escuridão e causando um inverno global ao qual muitas espécies não conseguiram se adaptar.

Os cientistas analisaram o trabalho de paleontólogos, geoquímicos, climatologistas e geofísicos. Com base nos registros geológicos, eles descobriram que na época da grande extinção houve uma rápida destruição dos ecossistemas marinhos e terrestres, e que o asteroide "é a única explicação possível para isso".

Peter Schulte, também autor do estudo, da universidade alemã de Erlangen, disse que os registros fósseis mostram claramente uma extinção em massa há cerca de 65,5 milhões de anos - época conhecida como fronteira K-Pg.

Apesar das evidências de vulcanismo ativo na Índia, os ecossistemas marítimos e terrestres só mostraram mudanças limitadas nos 500 mil anos prévios à fronteira K-Pg, sugerindo que a extinção não ocorreu antes e não foi motivada pelas erupções.

Gareth Collins, outro coautor do Imperial College, disse que a colisão do asteroide criou um "dia inferno" que marcou o fim do reinado de 160 milhões de anos dos dinossauros - mas também acabou sendo um grande dia para os mamíferos.

"A extinção KT foi um momento-chave na história da Terra, o que acabou abrindo caminho para que os humanos se tornassem a espécie dominante na Terra", escreveu ele no estudo. [Fonte: Yahoo Notícias]

Novo fóssil põe "elo perdido" sob suspeita

Um grupo independente de cientistas analisou o fóssil de primata propagandeado em maio deste ano como "o elo perdido" da evolução humana e chegou a uma conclusão não muito empolgante: o bicho é provavelmente só um primo antigo e esquisito dos lêmures.

Se eles estiverem corretos, o alarde midiático organizado em torno de "Ida, o elo perdido", ou Darwinius masillae, como o animal foi batizado oficialmente, pode se tornar um dos casos clássicos em que a vontade de chamar a atenção do público atropelou a ciência.

Reuters
Fóssil alemão da espécie _Darwinius masillae_, apelidado de Ida, cuja ancestralidade em relação ao homem está em xeque
Fóssil alemão da espécie Darwinius masillae, apelidado de Ida, cuja ancestralidade em relação ao homem foi colocada em xeque

Afinal, a descrição científica de Ida foi coreografada com o lançamento de documentários, sites, livros e de um evento para a imprensa no qual os pesquisadores responsáveis por estudá-la compararam o fóssil com a Mona Lisa e com o Santo Graal, afirmando que ele mudava tudo o que se sabia sobre a evolução humana.

Devagar com o andor

À época, boa parte da comunidade científica concordou que se tratava de um exemplar belíssimo. Diferentemente dos outros primatas antigos, Ida, com quase 50 milhões de anos de idade, teve seu esqueleto completo preservado --sem falar na presença de pelos e até do conteúdo digestivo do animal. Mas poucos concordaram com a sugestão de que o fóssil representava um ancestral direto dos antropoides, a linhagem de macacos que acabou desembocando no homem.

No novo estudo, que está na revista científica "Nature" desta semana, a equipe coordenada por Erik Seiffert, da Universidade de Stony Brook (EUA), compara Ida a uma nova espécie de primata extinto descoberta por eles no Egito.

Trata-se do Afradapis longicristatus, que é 10 milhões de anos mais novo que o suposto elo perdido, mas, ao que tudo indica, é um parente próximo de Ida, a julgar pela análise detalhada da mandíbula e dos dentes da espécie africana (aliás, esses são os únicos materiais preservados do bicho).

Seiffert e companhia também compararam Ida, o novo primata e outras 117 espécies vivas e extintas de primatas, levando em conta uma lista de 360 características do esqueleto. Essa comparação extensa, que não foi feita na descrição original de Ida, ajuda a estimar quais traços dos bichos realmente se devem ao parentesco e permite montar uma árvore genealógica dessas espécies.

O veredicto: Ida seria apenas uma prima muito distante do grupo que inclui o homem, estando bem mais perto dos lêmures atuais. As semelhanças superficiais dela com o grupo dos antropoides seriam explicadas por evolução convergente --ou seja, porque ambos os grupos adotaram estilos de sobrevivência parecidos.

Comedora de folhas

"São características relacionadas ao encurtamento do focinho e ao processamento de alimentos relativamente duros, como folhas", explica Seiffert. O pesquisador aponta o que, para ele, foi o principal erro da equipe que descreveu Ida.

"Acho que eles deveriam ter feito comparações mais detalhadas com os mais antigos antropoides indiscutíveis. Eles teriam visto que traços como a fusão das duas metades da mandíbula, que não aparecem nesses antropoides [mas aparecem em Ida], não poderiam ser um elo entre Ida e eles."

Philip Gingerich, paleontólogo da Universidade de Michigan e um dos "pais" de Ida, não concorda. "Acho esquisito que o Afradapis seja muito parecido com os antropoides, mas acabe classificado em outro grupo. A ideia de convergência parece implausível", diz ele.

Aliás, argumenta Gingerich, "o Darwinius [Ida] conta com um esqueleto muito mais completo que o do Afradapis, e ele apresenta características adicionais de primatas avançados que não aparecem na análise".

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